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Algumas contribuições da psicanálise para o tratamento médico da obesidade

Lúcia Flávia Ramalho Carpilovsky

A obesidade é atualmente considerada uma prioridade ao nível dos cuidados de saúde devido às proporções epidêmicas que assume em todo o mundo. Na sua gênese e desenvolvimento encontramos frequentemente a influência de fatores psicológicos, essenciais quando pensamos em intervir nesta problemática. Levando em conta que as abordagens clássicas de tratamento têm apresentado resultados limitados, vários autores têm salientado a necessidade de se estudar formas alternativas de tratamento, nomeadamente de psicoterapia, na obesidade. As causas para os insucessos e não adesão ao tratamento são ainda pouco compreendidas. Dentre os fatores que interferem na adesão, a qualidade da relação médico-paciente tem sido enfatizada. Dentre os impasses percebidos relacionados diretamente com a atuação do profissional, destaca-se, primordialmente, as limitações decorrentes de uma concepção, possivelmente atribuída à formação médica, centrada no modelo biotecnológico, na qual assimila um paradigma que não aborda a subjetividade. O resultado é o exercício hegemônico de uma clínica centrada na técnica e no ato prescritivo, em detrimento da clínica que valoriza a escuta, na qual o médico dá espaço ao paciente para falar de si, possibilitando surgir também demandas subjetivas de tratamento. Privilegia, dessa forma, uma intervenção biológica e prescritiva, em detrimento dos aspectos psicossociais envolvidos no processo, o que pode gerar prejuízo no vinculo profissional-paciente e grandes oportunidades perdidas de prevenção e tratamento. A abertura para uma escuta cuidadosa que valoriza a subjetividade pode ser um possível caminho para a construção e fortalecimento da vinculação ao profissional e serviço de saúde.

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