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CORPOS DISSONANTES
O peso da cultura sobre o sujeito gordo

Alexandre Mendes de Oliveira

Ser gordo nem sempre foi um problema na história da humanidade. Diante
dessa afirmação esse trabalho busca entender um pouco a pressão cultural e social
sobre a pessoa gorda, como fica evidenciado no fenômeno da lipofobia na cultura
do século XXI. Há alguns fatores psíquicos que ficam proeminentes, como o
narcisismo por exemplo. A autoimagem nunca foi tão reverenciada, alia-se tudo
isso a questão de vivermos em uma cultura somática. O discurso da mídia que
valoriza corpos magros e idealizados – seja por meio de palavras, textos, imagens
ou vídeos - pode naturalizar e difundir o discurso lipofóbico. A pessoa gorda se vê
pressionada muitas vezes pelo social, pela cultura, a ter que se adequar às
expectativas sociais de emagrecimento, a fim de escapar do estigma social do corpo
gordo. O estigma da gordura e a pressão social para o emagrecimento podem causar
profundo sofrimento.
Além do estigma social que o corpo gordo carrega, há uma dimensão
específica da contemporaneidade em torno da gordura corporal: trata-se dos
processos patologização da gordura e medicalização de corpos gordos. Na
contramão dessa cultura vem o movimento fat pride (orgulho gordo) que busca com
que haja espaço e direitos para essas pessoas, que por vezes ficam à margem,
estigmatizadas. O objetivo principal desse trabalho é trazer esse assunto para ser
discutido por profissionais da área de humanas, da saúde, outros campos de saber,
bem como a sociedade como um todo, para que possa assim repensar seu modo de
funcionamento.

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