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SÓ É GORDO QUEM QUER?
A obesidade como manifestação somática.

Juliana Ilele

A chamada lipofobia está fortemente presente em nossa sociedade atual, em
que padrões estéticos de magreza excessiva são impostos a todos nós.
Atributos como: bem sucedido, saudável, bem cuidado e até mesmo bom
caráter são designados para uma pessoa magra, porém ao se designar a um
obeso essas características não são consideradas. A obesidade é considerada
uma demonstração de fraqueza e preguiça, é vista como uma escolha e tratada
como um defeito moral. O médico João Uchoa Jr. defende essa idéia em seu
livro "Só é gordo quem quer". Porém o que se pode perceber é que o número
de obesos só aumenta a cada dia no Brasil e no mundo. Provando que é uma
questão muito mais ampla, que deve considerar muito mais fatores do que a
mera diminuição ou aumento de manequim, que não uma questão de escolha.
Diante de tantas questões que cercam a obesidade é possível se pensar pela
via da psicanálise que há algo mais profundo relacionado a ela, algo que para
o sujeito se encontra encoberto. O presente trabalho teve como objetivo
mostrar através de revisão bibliográfica, inclusive online de artigos, livros,
revistas e sites sobre alguns dados disponíveis na literatura, que o paciente
obeso deve ser olhado para além de seu peso. Que sua história de vida desde
o nascimento e como se deu seu crescimento influenciam em sua forma de se
relacionar com o mundo a sua volta. Que é fundamental se considerar os
aspectos psicológicos envolvidos no surgimento e manutenção da obesidade,
pensando nessa condição como uma manifestação somática. O objetivo foi
contribuir na ampliação do olhar lançado para o paciente obeso em tratamento
psicoterápico. Concluindo assim que “não é gordo quem quer, mas quem tem
propensão a sê-lo” (Alfredo Halpern – Obesidade: mitos e verdades).

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