O corpo feminino aprisionado nas medidas contemporâneas:
análises de capas da revista Boa forma no período de 2008-2018
Gabriela Soares Maia

O corpo sempre teve um papel cativo em todas as civilizações e tornou-se parte da história e tradutor de costumes e comportamentos. Atualmente, mais uma vez ele conquista um espaço de extremo destaque, principalmente quando a abordagem é do corpo feminino. Ele está imerso em regras que cabem somente em medidas mínimas, o colocando em um ambiente sufocante e irreal. Esse trabalho teve como objetivo traçar o cenário de como o corpo feminino é representado nas capas da revista Boa forma. Foram analisadas edições mensais entre 2008 e 2018 com foco nas manchetes principais e secundárias. Os resultados mostraram capas com modelos famosas, normalmente atrizes, brancas e magérrimas que reforçam o tanto o esteriótipo da magreza como essencial para o sucesso e realização pessoal quanto o da negatividade associada a excesso de peso num grande movimento a favor da lipofobia. Esse contexto gera uma série de prejuízos sociais e psicológicos que torna as patologias associadas aos transtornos alimentares cada vez mais comuns. Ao final da análise pode ser observado quão grande são os prejuízos gerados pela abordagem da revista e que é necessário um olhar mais empático tanto da sociedade quanto do profissional de saúde para essa questão tão complexa que é o corpo ganhe contornos mais reais. Afinal o corpo carrega sentimentos, histórias, cultura e merece ser respeitado por quem o tem e pelo olhar do outro.
