Transtornos alimentares na meia idade
Bianca Dionisio de Azevedo
Envelhecer na contemporaneidade traz novos desafios às mulheres, tendo em vista as conquistas desde meados do século passado e o novo papel que exercem hoje na família, no trabalho, na mídia e na sociedade como um todo. Com as novas conquistas chegam também novas demandas e cobranças relacionadas aos mais variados aspectos da vida das mulheres. Especificamente, vimos o "bem estar físico" emergir como um valor a ser conquistado, independente dos limites e singularidades de cada corpo e do passar do tempo. Um dos padrões vigentes atrelados a essa demanda exige um corpo jovem e magro independente de idade. Nesse contexto, a meia idade nas mulheres se apresenta como um desafio ainda maior no sentido que, além das mudanças inerentes ao envelhecimento e a passagem pelo climatério, quando seus corpos se modificam a revelia de sua vontade, têm que atender às cobranças por um corpo esbelto e que siga os padrões preconizados de suposta saúde e beleza. A cobrança generalizada para que as mulheres atendam essas demandas pressiona de forma cruel sujeitos de estrutura psíquica mais frágil e suscetível a adoção de comportamentos extremos para alcançar esse modelo preconizado. Este trabalho pretende abordar as mudanças da meia idade, suas vicissitudes, a menopausa e a crescente exigência pela manutenção de um corpo jovem e magro e sua relação com os transtornos alimentares na meia idade, sob a ótica da psicanálise no que tange a estruturação do sujeito e seus desdobramentos que podem levar a comportamentos alimentares transtornados e nocivos à saúde dessas mulheres.
